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A pior e a Melhor aventura que já fiz... - Dr. Hardman
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A pior e a Melhor aventura que já fiz...
Eu tinha alguma ressalva em escrever sobre o Clube dos Cinco. Era uma história longa e que só seria aprecisada em sua plenitude se estivesse dentro do contexto da época, meados da década de 90, em que eu narrava para meus vizinhos e amigos.

Foi na sequência do caso de Odranoel. Como falei, nosso grupo sofreu uma mudança drástica. Na época da “geração Xérox”, nós jogávamos Vampiros: A Idade das Trevasmesmos personagens. Eu era mestre novo nesse cenário, então personagens muito fortes era um desafio que não me achava apto. Expliquei também que houve inquisição e caça aos Vampiros, a Guerra do Sabbat... Dificilmente todos no grupo teria sobrevivido tanto. Eles aceitaram.
(suplemento medieval do “A Máscara") Já por uns três anos. O grupo estava bastante poderoso. Decidimos por mudar para o “A Máscara” (quando conseguimos xerocar o livro...). Eu me animei em narrar no novo ambiente, mas o grupo queria era usar os

 Começa a saga de forma até divertida. Eu uso o personagem de Dranoew (originalmente um impostor inspirado pela lenda... Mas os players nunca se empolgaram sobre desmenti-lo). Tinha o principado, os vampiros mais importantes, o elísio, e tudo o mais que nossa Nova Yorque (não usei a oficial) deveria ter. Eles, como neófitos, tinham de começar na base da cadeia alimentar e galgar seu lugar como já fizeram em IdT. Mas deveriam estar mal-acostumados com disciplinas elevadas e o poder que seus personagens antigos adquiriram na campanha anterior (esqueceram que levaram 3 anos até chegar a tal nível).

Então, para a alegria de todo o narrador, alguns deles se aventuraram em narrar também. Pude fazer a minha planilha – o Caitif Musthafah – e iria ver o nosso cenário do lado de cá do escudo. Foi legal... O cenário estava bem estruturado, mas havia espaço para o que os demais incluíssem (bem, teve um evento do príncipe pilotando um F-14 e derrubando helicópteros na cidade... Mas eu prefiro esquecer e perdoar). Mas então teve a bizarra aventura do Resgate.

 Ian Dranoew(que era um IMPOSTOR!). Convida aquele grupo de Novaiorquinos para viajar até a Inglaterra e descobrir a cidade perdida de Shestershire (Cidade fictícia onde o grupo de “IdT” fez fama). Já comecei a estranhar... O que meu caitiff urbano iria fazer no meio da Floresta de Sherrwood, cheia de lobisomens atrás de uma cidadela medieval perdida? Bem, ele não falaria exatamente isso.


- Como vamos chegar lá? – pergunto.


Dranoew saca de sua capa passagens aéreas.


- O que ganhamos com isso?


Dranoew saca de sua capa um saco de dinheiro e dá adiantado ao grupo.


- Se vamos enfrentar Lobsomens, vamos precisar de Armas...


Dranoew saca de sua capa METRALHADORAS DE GROSSO CALIBRE!


 Meu personagem coça o cucuruto e fala:


- Precisamos de um coelhinho branco...


 Eu juro que por muito pouco o narrador não enfiou a mão lá e puxou um. Eu iria aplaudir freneticamente aquele David Blane.

 Bem, continuando a trajetória do herói, Dranoew trabalhando aparentemente sozinho nos conseguiu um avião cargueiro militar isolado contra luz do sol para viajarmos no período diurno até chegarmos na Inglaterra. De lá, rumamos brevemente para Sherrwood. Entramos na floresta e então, aparece um lobisomem.

Um dos nossos personagens que conseguiu UMA BAZUCA no aeroporto (uma das poucas coisas que fizemos... Trocar nossas armas de grosso calibre por armas ainda maiores) e MATA o Lobisomem com um único tiro. Eu até achei que para termos tanto arsenal iríamos defrontar uma tribo inteira... Mas aquele único oponente, derrubado com um único tiro, foi toda a ação que tivemos.

Em poucas horas, ENCONTRAMOS a cidade perdida de Shestershire. Devíamos ser mesmo um excelente grupo de rastreadores, já que ela passou 800 anos perdida. Nós matamos um lobisomem e achamos.

Fomos direto a uma casa (deveria estar na entrada mesmo, pois foi a primeira coisa que Dranoew fez) e descemos um porão. Tudo vazio, exceto pelos cinco esqueletos trespassados por estacas deitados em uma mesa.

- Cortem seus pulsos e derramem sangue em seus crânios! – disse Dranoew, removendo as estacas.

Meu... OS CARAS VOLTARAM À VIDA! Eles ficaram em Torpor por 800 anos e lá estavam eles... Os PJs de IdT!

Claro, depois disso, tive de dizer que Dranoew era o original (única explicação plausível para ele encontrar a cidade)... Bem, ele deveria ser um Matuzalém então...

- Pronto. – fala o narrador (sim... a história acabou ALI!). Agora podemos jogar com nossos personagens em “A Máscara”.

 

Sim... era o “O Orc e a Torta” by Night!!! Com o “Plot Twist” que Aquilo que o Narrador Não Queria Vale!

 

- Ceeerto... – falo eu que no meio do caminho tinha sacado o que ele pretendia. – Só corrija aí uma coisa: Perderam todos os seus antecedentes.

- ... O que?!?

- Bem, seus mentores, seus lacaios e aliados morreram há mais de 8 séculos agora. Seus recursos, contatos e influências não valem nada. Tecnicamente, vocês são mendigos medievais na Manhattan moderna.

- Pêra lá... - Insiste o narrador. – Mas vocês foram resgatados pelos clãs. Cada um adotou vocês e vão ajudar a se estabelecer no cenário!

- Meeesmo? – falo incrédulo.

- É... Distribuam aí... Sei lá, cinco pontos de antecedentes para representar o que vocês têm hoje.


Nota... Alguns dos PJs NÃO TINHAM 5 pontos de antecedentes originalmente.

 

Curiosamente, após trazerem os Ancíliaes para o Mundo das trevas, ninguém quis mais mestrar. “A Pica é do Aspira”, eu tinha que me virar para fazer desafios ao nível deles, já com o cenário estruturado para os mais novos, que simplesmente sumiram do mapa. Sim, algumas partidas “one-shot” e pequenas campanhas (que poderiam render algo maior) simplesmente morreram porque um único indivíduo daqueles bastava para resolver o problema.

 

Mas tudo se conserta. Eu deixei isso claro.

 

Peguei uma ou duas aventurazinhas dessas, pouquíssimo desafio, mesmo. Acabou com premiação equilibrada, já que apesar deles terem sucesso, interpretar seres da idade Média na N.Y. Não ocorria. Mas lembro de dois momentos específicos em que os oponentes, uma vez diante da inevitável derrota, soltam: “Caramba! Eles devem ser o Clube dos Cinco!” e um “São quase tão poderosos quanto o Clube dos Cinco”.

 

Bem, eles não investigaram aquilo... Que pena... Poderia render um desdobramento legal... Mas eu já imaginava isso. A terceira aventura desses neandertais cainitas foi o que eu considero a melhor aventura que já narrei em minha vasta carreira Errepegística.

 

 Começa com uma mensagem de Ian Dranoew. Ele clama sua amizade ancestral com o grupo e pede para se encontrar no Central Park. Eu até pensei em deixá-lo brincando com um coelhinho branco... Um simbolismo do “Cês agora vão me pagar pelo que fizeram...” Mas decidi cortar a galhofa. Eles deveriam estar sérios... Eles deveriam ter medo.

 

Dranoew explica então quem era o Clube dos Cinco. Eram cinco ancíliaes que trabalhavam para a Camarilla como uma “Swat”... Eram a “Tropa de Elite” dos anciões na guerra contra o Sabbat... Mas era também um grupo indolente, e afeito a jogos perigosos. Tinham permissão do Príncipe inclusive de declarar Caçadas de Sangue. E eles haviam começado um jogo mortal. Eles souberam dos novos vampiros de Nova Yorque oriundos da Idade das Trevas, e finalmente acharam um adversário à altura deles.

 

As regras: Quem deles encontrar o grupo e matar ganhará um prêmio em dinheiro por “boddy count”. Se outro aparecesse, não poderia interferir. Deveria aguardar algum sobrevivente ou se os alvos escaparem. Os alvos deveriam sobreviver até o próximo amanhecer, e os que ainda estivessem vivos, estariam livres!

 

O grupo tremeu. Era muita arrogância... Mas o bom e velho metajogo lembrou que o narrador guardava ainda algum ressentimento. Eles acreditaram que podia ser verdade. Lembraram que já haviam ouvido esse nome antes...

 

E então, uma mira laser aparece na capa de Dranoew, e eles alertam. O bravo salteador Noturno que em outrora lançava-se à luta... Fala antes de ofuscar-se: Corram!

 

Era o primeiro deles... A Cainitech (uma matéria bizarra da Dragão. Detestei, mas pelo ar de bizarro eu inclui ela). Começou um tiroteio à distância, que deveria ditar o ritmo da partida. O grupo se entocou no carro (Eles pegaram com urgência condução e Armas de Fogo assim que ganharom o primeiro XP... Mas atiravam mal para canário) e correram.

 

Eles conseguiram despistar da Cainitech... Então decide que deveriam ir a um Shopping Center que ficasse aberto até tarde. Daria para vigiar as portas e eles não ousariam quebrar a máscara em grandes aglomerações urbanas, com câmeras de segurança e o escambau. Eu particularmente fiquei surpreso... Muito bom o pensamento do grupo...

 

Eles assim o fizeram. Mantiveram-se juntos incógnitos na multidão, a olhar o Relógio com atenção. Dez da noite eles estranham a gradual diminuição de pedestres. Então, as lojas começam a se fechar duas horas mais cedo... Os seguranças do Shopping não estavam visíveis... Algo estava errado... Extremamente errado.

 

Um apagão. Não havia mortais lá. Eles sussurram graus mais elevados da Disciplina “Presença”... E enfim, um carro adentra o recinto estraçalhando a entrada de vidro. Um cainita de porte brutal, com uma submetralhadora em cada mão surge. Mira no grupo, e então percebe que havia um outro logo atrás do grupo... Pálido, calvo, de armani impecável.

 

- AH... “Charme” Chegou primeiro... – resmunga ele. – Tudo bem... Eu espero.

 

Eram dois contra cinco, mas aos olhos do grupo era uma tremenda desvantagem numérica. Um deles declarou que abriria fogo com sua semiautomática contra Charme. Eu lanço a fortitude em segredo. Descrevo que com o baque ele recua e cai sentado, se levantando calmamente e só chateado com o estrago em seu terno.

 

Então, veio a máxima: “Ele é INDESTRUTÍVEL!!!”

 

O grupo corre para o Banheiro. Era um lugar que já haviam mapeado como uma possível fuga de emergência. Mas ao se defrontarem com a porta dela, eles flagram uma criança (12 anos), de sobretudo (de tamanho proporcional a eles) FLUTUANDO!!! (Traumaturgia movimento da mente 3 ... Nada de mais... Mas a imagem foi assombrosa!.


Meio que em desespero, ouvindo os pneus do carro cantando no corredor principal, o Malkaviano do grupo decide usar sua Demência contra aquele novo adversário. Eu faço uma pausa, jogo os dados detrás do escudo... Olho nos olhos desesperados do grupo que estava crente que seus amados e poderosos personagens não passariam daquela noite...

 

- O jovem cambaleia e fica com um olhar vago. Aparentemente foi afetado por sua disciplina.

 

Após uma breve comemoração em off, o bando parte para fora pelas apertadíssimas janelas do banheiro. Eles chegam a ver o grandalhão do Clube de relance procurando nas divisórias. Eles partem correndo por suas vidas, enquanto eu jogo os testes de percepção do “Forte”. Eles rumam para a estrada (nem ousavam ir ao estacionamento recuperar o carro) quando percebem novamente a mira laser.

 

Eles não viam a origem... e ficam angustiadíssimos. Até então um outro carro freia bruscamente próximo a eles. No volante, Dranoew! “Venham! Rápido!” grita ele.

 

O grupo se aperta como dá no veículo. Dranoew dirige apressadamente, e provocando batidas atrás deles (pois ELE estava ainda se adequando ao novo mundo...). Para horror do grupo, Cainitech VOAVA!

 

Enfim, vendo armas cortantes rasgando o teto do veículo em rasantes imprecisos, eles entram em um túnel. Conseguem afastar a aberração. Dranoew estaciona no meio, provocando engarrafamento e aponta para um bueiro...

 

- Podemos nos ocultar com os Nosferatu... – fala ele. – Eu conheço um lugar...

 

E lá foram eles, sem questionar. Seguiam seu guia NPC por vários metros do esgoto. Eles chegam a uma grade presa por um cadeado – nada desafiador ao Salteador Noturno, e ele dá passagem. Era uma situação familiar da época de IdT. Eles sabiam que estavam seguros. Podiam contar com a presteza de Ian Dranoew...

 

Então, a Grade se fecha. O trinco do cadeado acompanham ela. Dranoew ficou do lado de fora, e tateando um pouco, o grupo percebe que aquela alcova era curta e finita, e agora era uma prisão.

 

- Sinto muito mesmo, meus caros. – fala Dranoew. – Mas tive que fazer muitas coisas para sobrevier neste novo mundo. Eu me tornei o quinto membro do Clube dos Cinco... “Furtivo”.

 

Dranoew atira um embrulho por entre as grades. Ele fazia um barulho estranho... O traiçoeiro Salteador recua insinuando o que aquele dispositivo era... UMA BOMBA!

 

E eis o desespero. Eles tentam em vão derrubar a grade, pensando em como suplantar Dranoew depois. Tentam procurar pedras soltas, nada. Eles imploram a Dranoew, mas o seu antigo companheiro mostra-se insensível. Foram três rodadas de agonia.

 

E enfim, o alarme toca. Um sinete de um despertador. Dranoew guarda sua espada, e puxa para si o cadeado.

 

- Okey, ganhei o jogo, mostrando que eu poderia matar todos vocês... – fala enfim. – Se esbarrarem com alguém do Clube dos Cinco, avisem que “O Furtivo” venceu... Ah, e que me devem U$ 50,00. Dez por cabeça.

 

 Eu não consigo descrever o alívio que o Grupo sentiu. Mas por mais que eu me diverti vendo a montanha-russa dos eventos, nada supera quando eu apresentei a ficha do temível clube para eles... Todos no mesmo nível dos PJs. Se qualquer um deles pensassem em revidar, seria um desafio equilibrado (claro, os demais membros do Clube quebrariam a regra do “só um por vez”). O medo e a paranóia foram os antepastos, e a traição final de Dranoew o prato principal.

 

Eu ainda usei o Clube dos Cinco muito nas campanhas que seguiram-se. Aproveitando que eles tinham de manter a mítica de “um por vez”, eles precisavam do auxílio dos PJs em missões de caráter maior, envolvendo a Guerra com o Sabbat e indo a outras cidades. Em determinada altura me livrei da Cainitech e o PJ Gangrel do grupo ingressou no Clube em seu lugar. O Nível do desafio havia aumentado e agora eu tinha um respaldo maior para isso... Mas nenhuma aventura posterior superou em satisfação pessoal à Noite da Caçada.

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